Os jogos de poderes nas Olimpíadas

By Nairane Martins

Nas olimpíadas de Tóquio, cada vitória e medalha conquistada pelo Brasil se torna uma festa para os brasileiros e na torcida durante a competição vale tudo: desde torcer com fervor, a provocar pessoas da nacionalidade dos adversários nas redes sociais. Mas os jogos não são apenas um momento de celebração aos esportes e competição amistosa. 

Durante a competição, os atletas não representam apenas seu esforço e dedicação, eles representam suas nações e carregam as ideologias dos seus países. Todo o resultado positivo corrobora para aumentar o poder de influência da nação. As medalhas e competições ganhas são símbolos de prestigio e persuasão no cenário internacional.

Para isso basta analisar o quadro dos ganhadores nas últimas três edições. Nele vemos as grandes potências internacionais do cenário político e econômico: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Itália, França.  As nações fazem questão de que sua posição reflita sua posição na esfera internacional usando os esportes como uma ferramenta de Soft Power (Poder Brando) nas relações de poder internacional.

Além de refletir a posição de poder de cada pais, os jogos também refletem conflitos geopolíticos sejam positivos ou negativos.

Nos jogos de Melbourne na Austrália, a Hungria e a União Soviética tiveram um forte e violento embate.  Os húngaros queriam mostrar para a União Soviética que ela não ganharia por força bruta sempre. Eles já eram tricampeões e deram o seu melhor no jogo. Além de também provocar o adversário. Os soviéticos vendo que perderiam partiram para força bruta e jogo terminou com violência e sangue na agua. Um mês antes a União Soviética havia invadido Budapeste, capital Húngara, para aniquilar a revolução Húngara, mas durante a partida de polo os húngaros conseguiram sua revanche e os jogadores viraram heróis.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, na Coreia do Sul, em 2018, as delegações da Coreia do Sul e da Coreia do Norte desfilaram juntas sob a mesma bandeira e nessa edição de Tóquio aceitaram juntar suas equipes em três esportes.

Ainda nos jogos olímpicos de Tóquio, pode-se notar o conflito entre EUA e China pela divergência entre contagem de quadro de medalhas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e dos EUA. Enquanto o COI utiliza o número de medalhas de ouro que coloca a China como líder do placar. Os EUA estão utilizando o número de medalhas ganhas em seus veículos de comunicação para que eles liderem o placar.

Ao final das Olimpíadas, apesar de serem um evento momentâneo elas representam muito para os todos os países participantes e para o país sede. É a grande oportunidade de mostrar o Soft Power da sua nação e vender seu país e seus ideais, chamado de Nation Branding, para todo o mundo. Afinal, independentemente da situação política em cada país, os olhos do mundo sempre estarão voltados para os Jogos Olímpicos.

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